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Os 7 golpes por telefone mais comuns no Brasil

Por Acton Lobo, professor e criador do FoneTrack · 28 de outubro de 2026

Quase todo golpe por telefone segue o mesmo roteiro: criar pressa, parecer oficial e pedir algo que ninguém deveria pedir por ligação. Conhecer os roteiros mais usados é a melhor vacina.

Em resumo
  • Nenhum banco pede senha, código de SMS, transferência para “conta segura” ou o seu cartão em casa.
  • Pressa e segredo são os dois sinais mais fortes de golpe.
  • Na dúvida, desligue e ligue você mesmo para o número oficial, de preferência de outro telefone.

1. Falsa central do banco

Alguém liga dizendo ser da “central de segurança” do seu banco e avisa sobre uma compra suspeita, um Pix estranho ou um acesso de outro estado. A voz é calma, o atendente sabe seu nome e às vezes até parte do CPF. Depois de assustar, ele oferece a “solução”: confirmar seus dados, digitar a senha no teclado do telefone, informar o código que chegou por SMS ou transferir o dinheiro para uma conta “protegida”.

O sinal: o banco nunca pede senha, código de verificação nem transferência para proteger sua conta. Leia o guia completo sobre a falsa central do banco.

2. Falso funcionário com aplicativo de acesso remoto

É uma variação da falsa central. O golpista pede que você instale um aplicativo “de segurança” para “limpar um vírus” ou “cancelar a compra”. Na verdade, é um programa de acesso remoto, que deixa a pessoa do outro lado ver e mexer no seu celular. Com isso, ela abre o aplicativo do banco e faz transferências enquanto você assiste à tela se mexer sozinha, por isso o golpe ficou conhecido como “mão fantasma”.

O sinal: nenhum atendente legítimo pede para instalar aplicativo durante uma ligação.

3. Falso motoboy

Depois da ligação da falsa central, o golpista diz que o cartão foi clonado e que um funcionário do banco vai buscá-lo na sua casa “para perícia”. Pede ainda que você corte o cartão ao meio, sem atingir o chip, e informe a senha. Pouco depois, um motoboy aparece e leva o cartão, que é usado em compras no mesmo dia.

O sinal: banco não busca cartão em casa. Cartão com suspeita de fraude é bloqueado pelo aplicativo ou pela central, e você mesmo o destrói.

4. Falso sequestro

A ligação começa com gritos ou choro de alguém que parece ser um filho ou neto. Em seguida, uma voz agressiva diz que a pessoa foi sequestrada e exige um Pix imediato, sem desligar o telefone. O objetivo é impedir que você confirme a história.

O sinal: exigência de não desligar e de pagar na hora. Desligue e ligue para o familiar. Combinar uma palavra-código com a família ajuda muito nesses momentos.

5. Falso empréstimo consignado ou benefício do INSS

O golpista oferece um empréstimo consignado com juros baixíssimos, uma “revisão de aposentadoria” ou um valor a receber do INSS. Para liberar, pede uma taxa antecipada, fotos de documentos ou que você faça uma selfie, que depois é usada para contratar empréstimos em seu nome.

O sinal: ninguém cobra taxa adiantada para liberar empréstimo ou benefício. Pedidos de selfie e foto de documento por telefone ou WhatsApp merecem desconfiança total.

6. Falsa entrega ou encomenda retida

Uma ligação ou mensagem gravada avisa que uma encomenda está retida e só será liberada mediante uma pequena taxa, paga por Pix ou por um link. O valor baixo é proposital: parece não valer a pena desconfiar.

O sinal: confira o rastreio no site oficial da transportadora ou da loja, digitando o endereço você mesmo, sem usar links recebidos.

7. Voz clonada com inteligência artificial

Com poucos segundos de áudio tirados de vídeos ou de mensagens de voz, já é possível imitar a voz de uma pessoa. O golpista liga ou manda áudio com a “voz” de um parente pedindo dinheiro com urgência. Algumas ligações mudas, em que ninguém fala do outro lado, servem justamente para gravar o seu “alô”.

O sinal: pedido de dinheiro urgente, mesmo com a voz certa. Confirme por outro canal: ligue para o número que você já tem salvo ou faça uma pergunta que só a pessoa saberia responder.

Regra de ouro: quem liga é quem precisa provar quem é. Se a ligação pede pressa, segredo, dados ou dinheiro, desligue e confirme pelo canal oficial.

Como se proteger de todos eles

  • Desligue sempre que houver pressa ou ameaça. Uma ligação legítima pode esperar você confirmar.
  • Ligue para o banco pelo número do verso do cartão ou pelo aplicativo oficial, de preferência de outro telefone.
  • Nunca informe senhas, códigos de SMS ou dados do cartão por telefone.
  • Use um aplicativo que identifique golpes antes de você atender. O FoneTrack mostra quando o número já foi denunciado por outras pessoas.
  • Converse sobre esses golpes com pais e avós, que são os alvos preferidos. Veja como proteger seus pais e avós.
Fontes e referências
  • Federação Brasileira de Bancos (Febraban): alertas e campanhas sobre golpes por telefone.
  • Banco Central do Brasil: orientações de segurança para o Pix.

Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação do seu banco, da polícia ou de um advogado.

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